Certamente, você já ouviu falar de madeira carbonizada. Ela ainda não é amplamente conhecida do grande público, mas é bastante apreciada por qualquer arquiteto e designer de interiores. Quem entra em contato com a beleza do material acaba se rendendo à sua estética singular.

Charmosa, diferenciada e marcante, a madeira carbonizada tem conquistado destaque nos projetos arquitetônicos modernos. E não é para menos! O sucesso se deve não só à aparência, mas também aos inúmeros benefícios agregados da madeira carbonizada.

Seja em ambientes internos, seja em espaços externos, essa tendência decorativa consegue aliar bom gosto e arrojo na justa medida, além de trazer um visual único para diversos cômodos da casa.

Quer conhecer melhor a madeira carbonizada? Leia o artigo e saiba todos os detalhes desse material que, pelo visto, veio para ficar. Boa leitura!

O que é madeira carbonizada? 

A madeira carbonizada é um material de aspecto escurecido e natural que, cada vez mais, tem sido aplicada no design de interiores. Um dos grandes diferenciais desse acabamento consiste no fato de que a técnica de carbonização evidencia a rusticidade própria da madeira. Isso permite que a vida e o frescor da natureza sejam integrados a qualquer proposta de decoração, inclusive nos projetos mais urbanos.

A matéria-prima é queimada por um especialista que utiliza as ferramentas apropriadas e a técnica adequada para escurecer a  madeira. Nesse caso, a característica orgânica do material é alterada com a intenção de preservá-la por mais tempo. Isso é possível porque a queima da madeira decompõe materiais orgânicos que aumentam a preservação e prolongam a vida útil das tábuas.

Esse material é fabricado com madeira virgem de alta qualidade que, em um segundo momento, passará por um processo intenso de carbonização para ampliar sua durabilidade e proporcionar uma aparência incrível e o estilo exótico que realmente faz a diferença na decoração.

Quais são as origens da madeira carbonizada?

A madeira carbonizada foi criada e aplicada primeiramente na ilha de Naoshima, no Japão. A técnica foi desenvolvida por pescadores que desejavam proteger as casas das vilas. Após testarem algumas possibilidades, eles perceberam que se a madeira fosse queimada seria possível evitar as agressões naturais do mar, raios solares e insetos.

No começo, o trabalho era feito rusticamente com fogueiras, entretanto, com o passar dos anos,  as técnicas foram modernizadas e as tábuas de madeira começaram a ser carbonizadas com maçarico. O novo método possibilitou a reação mais intensa e controlada das fibras externas, tornando a madeira carbonizada imune ao ataque de fungos, cupins e muito mais!

Do Japão para o mundo?

Sim! Do Japão para o mundo. A madeira carbonizada não nega suas raízes orientais, mas se tornou um material cosmopolita, que ganhou o mundo.

Terunobu Fujimori, famoso arquiteto japonês, foi um dos pioneiros na apropriação da técnica. Ele reinventou o uso da madeira carbonizada e ampliou as aplicações para construir fachadas de maneira inusitada, aumentando a notoriedade da técnica. O que antes estava presente somente em projetos populares agora poderia atingir outro patamar, indo além da aparente simplicidade.

De aspecto forte e arrebatador, ao mesmo tempo em que é sutil e discreta, a madeira carbonizada tem sido amplamente utilizada na arquitetura de países como Dinamarca, Inglaterra, Estados Unidos, Chile, Canadá, Coreia do Sul, China e, claro, Japão – o seu berço ancestral.

Não demorou, e a carbonização da madeira conquistou, também, os brasileiros. Em terras tupiniquins, um dos profissionais que são referência no uso de madeira carbonizada é o arquiteto Bernardo Jacobsen. Ele morou durante um tempo em solo japonês e trouxe a técnica para o Brasil há alguns anos.

Jacobsen se tornou conhecido pela aplicação de Shou Sugi Ban em imóveis nas cidades de Paraty e Rio de Janeiro, chamando positivamente a atenção da opinião pública por assinar lindos projetos em madeira maciça carbonizada.

Hoje, no nosso país, além do arquiteto precursor da técnica por aqui, vários outros profissionais de vanguarda utilizam a madeira carbonizada para compor fachadas de lojas, fachadas de casas e, também, ambientes internos.

Como é produzida a madeira carbonizada?

A madeira carbonizada é produzida há mais de 300 anos a partir de uma tradição japonesa de tratamento de madeiras.  Para chegar ao resultado esperado, é utilizada a técnica Yakisugi, chamada também de Shou Sugi Ban. Essa técnica é baseada na queima da superfície da madeira com a intenção de tratá-la e protegê-la de danos, como ataque de insetos, ação da umidade, incêndio e outras intempéries.

O método oriental é muito eficiente, apesar de simples. Para começar, a madeira é queimada com o auxílio de um maçarico. Depois, a superfície é lixada e posteriormente lavada para eliminar os resíduos de carvão. Com a madeira já carbonizada, é aplicado um óleo especial de cedro ou mogno para hidratar o material.

Por que recorrer à carbonização profissional?

Vale ressaltar que, apesar de não ser um procedimento complexo, ele envolve várias etapas e apresenta alguns riscos. Por isso, a carbonização só deve ser executada por empresas e profissionais especializados.

Além disso, o trabalho requer materiais específicos, como o próprio maçarico, lixas especiais, óleos e selantes de qualidade, para evitar a formação de manchas, desbotamentos e outros danos futuros.

A madeira deve ser queimada no ponto exato, para que a estética não seja comprometida e a durabilidade não seja prejudicada. O ponto ideal da queima assegura a uniformidade da cor e proporciona maior resistência às variações climáticas.

Existe apenas um tipo de madeira carbonizada?

Não. Embora toda madeira carbonizada seja escura, nem sempre apresenta a mesma tonalidade de preto. Madeiras carbonizadas se distanciam dos tons acastanhados convencionais das madeiras comuns, mas os tons podem variar entre os acinzentados e o negro total.

A depender do tipo de madeira, da intensidade da queima, da habilidade do profissional e de outras questões, como gramatura da lixa, força aplicada na escovação, tipo de óleo e selante utilizado na finalização, os efeitos visuais obtidos podem ser diversos, ou seja, não há uma padronização em relação à madeira carbonizada. Aliás, não existe uma madeira igual a outra, seja carbonizada ou não. Essa é a riqueza e a beleza da natureza, que produz perfeição na imperfeição.

Nas queimas mais superficiais, por exemplo, a base escurece, mas reflexos mais claros e levemente dourados podem se destacar na madeira, garantindo um brilho leve e sofisticado para a madeira carbonizada. Já nas carbonizações mais profundas, a cor e a textura se alteram. Só para ter ideia, a tonalidade da madeira pode se aproximar do tom de carvão.

Quais madeiras podem ser usadas para aplicar a técnica de carbonização?

A técnica Shou Sugi Ban pode ser aplicada em diferentes tipos de madeira nativa, incluindo cedro, pinus, peroba, cumaru, braúna, entre outras. A madeira mais tradicional para a aplicação da técnica é o cedro japonês, uma espécie de madeira que, originalmente, tem a cor castanho-avermelhada.

O efeito estético do cedro pós-carbonização é de tirar o fôlego, pois essa madeira possui grandes e profundas fissuras longitudinais, além de leves ondulações, o que resulta em uma texturização singular. A irregularidade da matéria-prima e a falta de padrão nos veios é o que deixa o aspecto da madeira ainda mais bonito.

Dá para unir tradição e modernidade?

Claro! A madeira carbonizada é uma prova de que tradição e ruptura podem conviver em perfeita harmonia. Nesse tipo de material, temos a madeira, uma matéria-prima clássica, com uma pegada geralmente conservadora. Ela é tratada por meio de uma técnica criada há centenas de anos, o que só reforça a tradição.

Além das características tradicionais, a madeira carbonizada traz à tona aspectos modernos, como o preto aplicado na arquitetura e decoração, a textura natural em evidência e o valor funcional de um produto que, além de bonito, oferece benefícios como durabilidade, praticidade na limpeza e facilidade na conservação. A técnica que surgiu lá no passado agora voltou reinventada e ganhou um novo fôlego, consolidando-se como uma tendência atual e arrojada, que tem tudo para ganhar ainda mais força.

Sem dúvida nenhuma, a madeira carbonizada é uma perfeita junção de tradição e modernidade, tanto que pode ser usada em projetos clássicos e também em projetos altamente inovadores. Cabe ao arquiteto ou designer de interiores escolher o melhor caminho a seguir. Esse material propicia uma série de possibilidades. Não há regras ou limites para trabalhar com a madeira carbonizada em um projeto arquitetônico!

Como usar a madeira carbonizada em projetos arquitetônicos? 

No Japão, a técnica costuma ser aplicada em residências populares. É como se a madeira carbonizada fosse o nosso pau a pique, tão utilizado em construções nativas. Com a evolução desse tipo de tratamento de madeira, associada a uma boa dose de criatividade, foi possível diversificar as formas de uso.

Atualmente, é possível usar a madeira carbonizada em grandes edificações, projetos arquitetônicos modernos e luxuosos, de casas a imóveis comerciais. Nas residências, é interessante fazer um contraponto que gere equilíbrio visual. Se, do lado de fora, o preto da madeira predomina, do lado de dentro os ambientes devem ser clean.

A iluminação também é extremamente importante, para evitar que o espaço fique sobrecarregado. A luz estrategicamente planejada pode trazer mais conforto térmico, aconchego e até mesmo criar a sensação de amplitude.

Quais são os benefícios do uso dessa madeira?

São muitas as vantagens da madeira carbonizada. Não faltam boas razões para escolher esse material para compor projetos arquitetônicos. Confira a seguir os principais benefícios trazidos pela utilização desse tipo de acabamento:

Resistência

A madeira carbonizada é tão resistente, que se configura como uma opção excelente para revestir fachadas e outras áreas externas. Como já mencionamos, ela é protegida contra a invasão de insetos, bem como sua impermeabilidade a torna mais segura que a madeira convencional no que diz respeito a sol, chuva, maresia, cupim etc. Só para ter ideia, a madeira tratada com a técnica de carbonização pode durar 80 a 100 anos sem qualquer manutenção.

Beleza

Outro ponto positivo do uso de madeira carbonizada é o valor estético e potencial decorativo. Além de ser um material resistente, ele é bonito e elegante. Seu aspecto despretensioso combina com variados projetos arquitetônicos, sobretudo porque ele ressalta a beleza natural incomparável da madeira.

Vale destacar que os elementos amadeirados, por si sós, agregam charme, personalidade e um ar aconchegante a qualquer espaço. Com a madeira carbonizada não é diferente. Ela também tem esse poder!

Versatilidade

Diferentemente do que muitas pessoas imaginam, o uso da madeira carbonizada não se restringe ao exterior dos imóveis. Ela pode ser utilizada em salas, quartos, cozinhas, escritórios e muito mais. Além disso, uma forte tendência é a aplicação desse tipo de material na confecção de móveis, como mesas, bancos, cadeiras, cabeceiras, bancadas e aparadores.

A madeira carbonizada é tão versátil, que pode estar presente em decorações com proposta tradicional, retrô, moderna, minimalista, étnica, industrial, escandinava, boho e por aí vai.

Elegância

A madeira é elegante por si só. O preto também. Apesar do aspecto rústico dos veios destacados dessa matéria-prima, a naturalidade ressalta a elegância única desse material e toda a riqueza da técnica de carbonização.

O melhor de tudo é que a tonalidade escura permite várias combinações. É possível, por exemplo, apostar no infalível contraste entre preto e branco ou no tom sobre tom, com uma graduação de variadas nuances de cinza até chegar ao black total. Para os projetos mais ousados, cabe até unir a sobriedade da cor preta com cores mais vibrantes, a exemplo do amarelo.

Inovação

Por não ser um material popularizado, a madeira carbonizada adiciona ao projeto um toque inovador e surpreendente, que encanta pelo aspecto rústico e naturalidade dos veios da madeira, combinado com a sobriedade e elegância da tonalidade escura. Essa madeira é criativa e exótica na essência, pois foge da previsibilidade e calor dos tons acastanhados das madeiras virgens.

Atemporalidade

Preto combina com tudo e jamais sai de moda. É isso mesmo! Passe o tempo que passar, o preto permanecerá em alta e continuará abrindo espaço para diferentes possibilidades e combinações. É como dizem: um pretinho básico tem o seu lugar, tanto na moda quanto na arquitetura.

Onde usar a madeira carbonizada?

Dentro ou fora de casa, a madeira carbonizada pode trazer mais charme e originalidade para os projetos arquitetônicos. Muito democrático, esse material é perfeitamente instalável em qualquer parte do imóvel, até porque, como você já sabe, ele resiste a fungos, cupim, água, poeira, vento etc.

Decoradores e arquitetos ao redor do mundo recorrem à técnica Shou Sugi Ban para criar fachadas de residências, detalhes em apartamentos, centros comerciais, clubes, escritórios, restaurantes e muitas outras edificações. A madeira carbonizada também aparece com frequência em painéis personalizados.

Como usar a madeira carbonizada na parte externa do projeto? 

A madeira carbonizada é um curinga na decoração do exterior da casa porque une beleza e resistência. Como a parte de fora do imóvel fica exposta às mudanças climáticas, investir em um material protegido contra o sol e umidade, por exemplo, é uma bela alternativa, especialmente quando não é necessário abrir mão da estética.

Vale a pena utilizar a madeira carbonizada na fachada do imóvel, varandas, jardins, áreas gourmet, espaços de lazer, pergolados, deques etc. A mobília produzida com esse material também é bem-vinda para decorar exteriores, Afinal, trata-se de um material altamente resistente.

Como usar a madeira carbonizada na parte interna do projeto? 

Na parte interna dos projetos com madeira carbonizada, o ideal é criar uma composição limpa e harmoniosa. As paredes podem ser claras, para destacar os detalhes em madeira escura e criar um visual contrastante.

Além disso, pode haver um mix de materiais, com teto e piso de madeira normal, móveis coloridos, janelas de vidro, superfícies de pedra, almofadas de tecido, tapetes de nylon, entre outros.

Como criar efeitos diferentes a partir de um mesmo material?

Um dos pontos fortes da madeira carbonizada é justamente a sua polivalência. Ela pode ser usada em projetos diversificados e aplicada em propostas de variados estilos decorativos. É possível, também, diversificar o uso do material para obter diferentes efeitos.

Na horizontal ou vertical, com tábuas largas ou estreitas, com peças juntas ou sutilmente separadas, dá para criar decorações exclusivas. Seja na superfície de um deque, seja no painel da sala ou no revestimento de toda a parte externa do imóvel, esse tipo de madeira ganha uma cara nova e uma identidade distinta a cada novo projeto.

Onde encontrar madeira carbonizada?

A carbonização da madeira é uma técnica realizada, normalmente, por artesãos e marceneiros especializados. Não é comum encontrar madeira carbonizada em livre demanda, entretanto, por ser uma forte tendência no mercado de decoração, algumas madeireiras já disponibilizam placas, chapas, brises, painéis e tábuas de madeira preta, que apresentam o tom escuro justamente porque passaram pelo método Shou Sugi Ban.

Se a intenção não é necessariamente usar a madeira carbonizada como parte do revestimento e acabamento do imóvel, mas como item de decoração, uma boa pedida é recorrer a lojas de design de interiores, além de artistas que trabalham com a técnica e desenvolvem móveis e peças decorativas com a madeira Yakisugi. Há belíssimas luminárias, arandelas, esculturas, vasos, centros de mesa, banquetas e molduras produzidas com madeira carbonizada.

Quais fatores influenciam o sucesso do projeto com madeira carbonizada?

A qualidade da madeira

É praticamente impossível chegar a um bom resultado estético sem utilizar uma madeira carbonizada de qualidade. Quando o tipo de matéria-prima não é adequado e a técnica não é devidamente aplicada, a aparência da madeira, assim como a sua resistência, é impactada negativamente. É por isso que é tão importante trabalhar com insumos de alto padrão.

A competência dos profissionais envolvidos

Talento, profissionalismo e competência são essenciais na condução de qualquer obra de construção ou reforma. Desde o marceneiro que vai manusear o maçarico para tratar a madeira, passando pelo arquiteto que desenvolverá o projeto, e até mesmo pelo instalador das superfícies carbonizadas, é fundamental que o trabalho seja realizado por ótimos especialistas. Isso aumenta — e muito — as chances de sucesso do projeto.

O primor na criação e execução do projeto arquitetônico

Por ser um material tão diferente, ele não pode ser tratado de qualquer forma, sem o devido conhecimento e responsabilidade por parte dos arquitetos e decoradores. Para ser bem-sucedido, o projeto deve ser primoroso do início ao fim, a começar pelo planejamento.

É importante que o profissional priorize a originalidade, a coerência e a harmonia, além de pensar em aspectos como estética e funcionalidade. Para potencializar a beleza do projeto, pense nos elementos complementares, como móveis, acessórios e utensílios. Capriche na escolha da mobília, obras de arte, vasos, almofadas, cortinas, tapetes e carpetes. Isso também contribui para a valorização da madeira carbonizada. Fica a dica!

Há materiais similares à madeira carbonizada?

Uma alternativa mais comum e conhecida de madeira escura, com aparência similar à madeira carbonizada, é a versão ebanizada. Nesse caso, a madeira não é queimada até escurecer. O tom é obtido por meio de um processo de tingimento com pigmentos naturais. Vários arquitetos recorrem a essa opção para ter a junção da tonalidade escura com a textura natural da madeira.

Esse tipo de material pode ser usado em salas de estar, salas de jantar, quartos, home offices, cozinhas, home theaters, entre outros. Seja em projetos clássicos, seja em composições contemporâneas, a madeira ebanizada é uma solução interessante para quem gosta do “breu” na decoração, se inspira na madeira carbonizada, mas prefere utilizar materiais mais práticos e acessíveis.

Além da madeira ebanizada, hoje em dia existem até porcelanatos inspirados na madeira carbonizada, com cores e texturas que fazem uma releitura da técnica oriental. A depender da proposta decorativa, pode ser uma solução criativa para trazer o preto para o espaço, sem necessariamente ter que apostar na madeira maciça queimada.

Há também as linhas de revestimento em concreto que reproduzem o método oriental Shou Sugi Ban. Esse tipo de material consegue transformar paredes com muita personalidade e sofisticação.

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